Uma pesquisa divulgada recentemente pela Pactive Consultoria mostra que 77% dos entrevistados já pensaram em largar o emprego e começar uma nova carreira. De acordo com os dados, apenas 23% nunca pensaram em trocar de emprego. Para Henrique Veloso, co-autor do livro Estresse Ocupacional, da editora Elsevier, a insatisfação no trabalho está ligada à expectativa e à condição real. "Se as expectativas são altas, há uma tendência maior em haver uma frustração. Um outro ponto importante é que o indivíduo não é movido à satisfação. Ele é movido à insatisfação. Sempre procuramos o que não temos e quando obtemos o que queremos, surge novo elemento para canalizar nossas insatisfações gerando novas expectativas (desejos). A contradição aparente mostra a complexidade do ser humano e a dificuldade de lidar com esse elemento nas empresas", comentou.
Para o especialista, as empresas sabem que nunca serão capazes de superar todas as expectativas dos indivíduos. "Mesmo que consigam, isso gerará no indivíduo um novo foco de desejo. As organizações devem buscar lidar com os elementos humanos respeitando essa condição da natureza humana, procurando eliminar os elementos mais básicos que geram insatisfação como condições inadequadas de trabalho, política de gestão de pessoas inconsistente, dentre outros e direcionar para desejos e expectativas que conciliem os objetivos individuais e organizacionais", explicou.
Muitos funcionários que participaram da pesquisa afirmaram que sentem medo de arriscar. Henrique afirma que o problema não é o risco, mas sim o retorno que a decisão terá ao colaborador. "Muitos arriscam tudo por muito pouco. O risco deve sempre ser minimizado, mas retorno precisa ser considerado. Gosto de exemplo do cotidiano. Quantas vezes vemos pessoas dirigindo loucamente no trânsito, arriscando a própria vida e de outras pessoas para ganhar cinco minutos. O ganho é muito pequeno perto do risco. Mudar de emprego e arriscar é uma opção que deve ser avaliada em todos os sentidos de risco e de retorno tais como aspectos financeiros, saúde física e mental, relacionamentos, bem estar, dentre outros, para que valha a pena levantar de manhã e sair de casa", disse.
A falta de reconhecimento é apontada na pesquisa como um dos motivos para os funcionários terem vontade de começar nova carreira. Nesse caso, Henrique explica como os gestores devem lidar com seus colaboradores. "Certa vez me disseram que é preciso ensinar o consumidor a tirar o melhor proveito possível de seus produtos. Realmente precisamos aprender a consumir melhor (tirar todo proveito, ser responsável no consumo, entre outros). Assim também devem ser as práticas de gestão de pessoas que precisam ser entendidas pelos funcionários. Há muitas formas de reconhecimento e, às vezes, o indivíduo foca em apenas uma, seja na forma de elogio ou questões financeiras. A empresa precisa mostrar que há sempre caminhos que precisam ser valorizados, tais como bons relacionamentos pessoais, qualidade de vida no trabalho, etc. Conheço profissionais que optaram por apenas uma forma de reconhecimento, de natureza econômica, e hoje possuem uma vida estressante e sem qualidade de vida. São opções", afirmou.
De acordo com Veloso, existem empresas que não têm a mínima preocupação com o funcionário. "A experiência me mostra que aquelas que não se preocuparam até hoje, é por que não lhes faz falta, ou seja, não precisam reter seus funcionários. Nesses casos, a rotatividade é uma característica da empresa e não um problema", finalizou.http://administradores.com.br/noticias/carreira/para-especialista-e-preciso-avaliar-os-riscos-ao-mudar-de-emprego/79069/
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